O que acontece quando adolescentes de uma escola pública entram NA DANÇA!

O professor de história José Araújo e a professora de dança Betty Gervitz já conversam há algum tempo sobre a ideia de inserir dança nas escolas.

Mas em escolas públicas, para alunos adolescentes? Que danças, e como?

“Eu estava receoso, até porque o adolescente tem suas dificuldades em se expor para o público”, diz Araújo, que dá aulas de história na Escola Estadual Prof. Mauro de Oliveira, na Vila Anglo Brasileira, zona oeste de São Paulo.

O conceito e as ações da plataforma NA DANÇA! coincidiram com um projeto que Araújo está realizando com os alunos, para ser apresentado na Semana de Geografia da USP, que será realizada em outubro.

O tema proposto pelo professor da Mauro de Oliveira é a invisibilidade social, e um dos subtemas é a questão dos refugiados.

A plataforma é uma rede de conexões (e atividades) entre artistas e professores imigrantes chegados nos recentes ciclos migratórios, profissionais brasileiros que desenvolvem pesquisas e trabalhos sobre danças e músicas de diferentes lugares e culturas do mundo e todo o povo da cidade que adora dançar e conhecer coisas novas.

“Achei que seria profícuo a inserção desta experiência na escola. A ideia foi levar os artistas para um bate-papo com os alunos, finalizado com um pouco de dança”, conta Araújo.

A preocupação de os jovens não quererem se envolver na parte mais física da atividade se dissipou no encontro dos alunos com os professores-artistas Ermi Panzo (Angola), Ines Queme (Moçambique) e Mohammad Al Jamal (Líbano).

Eles contaram de onde e por quê vieram ao Brasil, e depoimentos pessoais sobre questões como racismo, diversidade ou inclusão.

“A dança entrou com uma razão de ser, respaldada pelo conteúdo”, diz Gervitz.

Para Araújo, a conversa inicial criou “uma espécie de estrutura calorosa, tudo fez sentido para eles”.

Nas histórias de cada imigrantes, eles souberam de uma potência de resistência, que depois foi experimentada em seus próprios corpos.

“No começo, alguns alunos ficaram fora da dança, só olhando, mas no final foi um delírio coletivo, até funcionário de muleta entrou na dança”, conta Araújo.

DEPOIMENTOS

Foi emocionante não só para os docentes e discentes da escola Prof.Mauro de Oliveira, mas também para os artista que fizeram este lindo e longo caminho da África ou do Oriente Médio até uma quebrada da cidade de São Paulo.

“Mostrei para todo mundo a minha cultura e minha dança, compartilhei minha história com prazer”, disse Mohammad Al Jamal, acrescentando que aprendeu algo novo ao perceber a curiosidade e o amor dos adolescentes pelo que tinha a mostrar.

O que dizer do NA DANÇA! na escola?”, pergunta Ines Queme. E ela mesma escreve a resposta em seu depoimento:

“Apenas dizer que, além de ser uma plataforma de interação social, propôs-se a embarcar no campo educacional para compartilhar e despertar as identidades ofuscadas no trânsito cotidiano; ontem, a criança, o adolescente ensinaram-nos que ao ouvi-los e respeitá-los podemos atingir um retorno social que beneficie toda a sociedade. Conversar e olhar no olho é um doar que traz como retorno amor, afeto, respeito e admiração mútua. A dança transcendeu o movimento rítmico e corporal para uma empatia identitária e espiritual. Obrigada Garotada da Escola Estadual Mauro de Oliveira. Avante o projeto.”

Os alunos da escola estadual também mandaram seus recados:

❤Foi muito emocionante, as histórias deles foram marcantes e me encantaram muito. Foi uma troca super legal de conhecimento, história e de sentimentos, penso que foi muito legal da parte deles contarem pra nós suas histórias e sua relação com o Brasil. Ao mesmo tempo é uma lição de vida pra gente que vemos os países deles de um forma sendo que é mais, eles enfrentaram guerras, conflitos familiares, com muita maturidade e sinceridade e sem perder o foco e continuaram seguindo em frente, vindo parar em uma realidade cheia de amor, de dança e interação. Me mostraram que eu devo apreciar o agora e procurar não reclamar de coisas pequenas. ❤Ana Luiza Oliveira de Sousa 3ºA nº01

Sem dúvida nenhuma, eu nunca me senti tão feliz em uma segunda feira kkk. Eu amei a experiência, ela será inesquecível, me encantou, emocionou, fiquei admirada e no final só queria mais, a dor no corpo foi pequena perto das emoções que tive neste dia, queria vivenciar tudo de novo, pretendo sim participar dos workshop deles e espero ter a oportunidade de encontrar eles de novo. Suas histórias, força, determinação, e o amor com que eles dançavam encheram o meu coração e sonhos de alegria. Quero ser dançarina coreografa no futuro, e depois daquele dia, tenho certeza absoluta dessa minha escolha. Obrigado pela presença incrível de vocês e a todos que ajudam nesse projeto incrível, pretendo fazer parte dele.

❤💃Catarina do Monte Gonçalves 3ºA n°04

Foi ótimo ter visitas no Mauro, e os imigrantes nos ensinaram demais, eu aprendi novos ritmos de dança, novos passos, aprendi sobre a vida deles, e o quão difícil é ser um imigrante e chegar em um país completamente estranho, de cultura diferente, eu os considero guerreiros, por passar por tudo que passaram.

Iago de Souza, 15 anos

Eu gostei do evento na escola porque gosto de dançar, e o que eles falaram foi muito importante. É bom conhecer as histórias dos imigrantes. Percebi que dançar faz parte da cultura deles. É como se fosse uma religião.

Patrick Deivid de Lima

Primeiramente, quero agradecê-la por ter trazido pessoas tão simpáticas e interessantes para a nossa escola, o Mauro de Oliveira está sempre de portas abertas para recebê-los novamente quando quiserem, pois essa atividade foi uma das melhores que já tivemos, pudemos conhecer mais da cultura do nosso planeta, de países completamente diferente do nosso, e isso é uma experiência ótima.

Gosto muito da sua iniciativa Betty, de dar oportunidade de emprego para os estrangeiros que vêm para o nosso país em busca de uma vida melhor, admiro muito sua generosidade e vontade de espalhar essas diversas culturas por aí, continue com esse projeto que eu tenho certeza de que ele vai pra frente! Foi muito gostoso dançar com todos eles e conhecer mais de suas trajetórias até aqui, desejo sucesso a eles e a você também, espero que sua jornada com o projeto Na Dança esteja só começando, pois ele com certeza tem um grande futuro pela frente, obrigado novamente!

Hiago, 2º ano do ensino médio