Alunos e professores de escola de São Bernardo fazem uma imersão NA DANÇA! e na cultura africana

Os mundos se encontram NA DANÇA!

Há tempos a EMEB Professora Janete Mally Betty Simões, em São Bernardo do Campos, desenvolve um trabalho sobre as matrizes da cultura brasileira.

A valorização das manifestações culturais africanas sempre fizeram parte do projeto pedagógico da escola, mas, no início do segundo semestre deste ano, a coordenadora Isabel Cristina Rodrigues quis fazer algo mais amplo.

Encontrou, na rede de contatos criada pela plataforma NA DANÇA! uma oportunidade para isso.

No dia 30 de julho, 120 alunos da quinta série se reuniram no pátio da escola para aprender com o angolano Ermi Panzo danças de sua terra.

Ermi é um dos professores-colaboradores da plataforma, que reúne artistas e professores imigrantes e promove uma troca cultural com os habitantes de cidade por meio da dança e da música.

Entre suas várias ações, NA DANÇA! tem realizado atividades em escolas públicas da grande São Paulo.

Na escola Janete Mally, o trabalho começou com os alunos na faixa dos 11 anos. “Eles adoraram. Pena que durou pouco, as crianças queriam saber mais coisas sobre o Ermi”, diz Isabel.

Mas o trabalho não terminou ali. À noite, Ermi se reuniu com os professores da escola para falar sobre diversos aspectos da cultura angolana e bantu –tradição que expande fronteiras e se espalha por vários países africanos.

Ele falou, recitou e fez demonstrações por uma hora e meia. “E os professores não piscaram um olho”, conta Isabel.

A programação na escola de São Bernardo soma-se às ações socio-educacionais iniciadas em junho e já realizadas nas escolas de educação infantil Apecatu (Itapevi) e Dona Leopoldina (SP), na escola de educação fundamental Desembargador Amorim Lima e na Escola Estadual Prof. Mauro de Oliveira (ambas também em São Paulo). Os relatos e as imagens destas atividades estão reunidos nas postagens do NA DANÇA! NA ESCOLA.

Comunidade escolar festeja saberes e diversidade NA DANÇA!

Emocionada, Anna Cecília Koebcke de Magalhães Couto Simões, agradeceu aos “chegantes” –artistas e professores vindos de Angola, Moçambique, Líbano e Egito que vieram contar suas histórias e ensinar suas danças na EMEF Desembargador Amorim Lima, em São Paulo.

Supervisora de ensino e professora da escola, Anna usou a expressão para não reforçar o estigma que vem junto com a palavra refugiados, como foi dito, na apresentação da atividade, por Betty Gervitz, criadora da plataforma NA DANÇA!

Reunindo artistas que chegaram ao Brasil nos recentes ciclos migratórios, a plataforma cria novas redes e conexões entre estes bailarinos e professores e a população da cidade –artistas profissionais, amantes da dança, alunos de escolas públicas, programadores de dança.

A ida à Amorim Lima, uma das escolas públicas mais inovadoras de São Paulo, faz parte de um dos ramos da plataforma, ligado à educação e às comunidades escolares.

No sábado, 28/7, à tarde, alunos, professores e amigos da Amorim Lima se reuniram na quadra da escola para ouvir as histórias de vida de Ines Queme (Moçambique), Ermi Panzo (Angola), Mohammad Al Jamal (Líbano) e Hamada Nayel (Egito).

Eles falaram sobre a vida nas aldeias e as tradições seculares, as migrações para as cidades grandes e para outros países, a guerra e as apresentações profissionais em universidades e festivais internacionais.

Diversidades de histórias, reunidas NA DANÇA! E depois, vividas no corpo de adultos e crianças. Cada artista, ensinou e dançou com o público pequenas coreografias de danças tradicionais de seus países. Todo mundo, mesmo, entrou na roda.

“Eles são incríveis, fazem as pessoas pegarem fogo”, diz Ana Elisa Siqueira, diretora da Amorim Lima.

Um fogo que, ali, certamente vai continuar esquentando corações e mentes. Com todas as falas, incluindo uma poesia declamada por Ermi, registradas em vídeo por uma professora, a ideia agora é transformar em conteúdo de aulas a fagulha acesa NA DANÇA!

Em escola inovadora de educação infantil, comunidade vive ancestralidade cultural brasileira NA DANÇA!

A EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil) Dona Leopoldina, na zona oeste de São Paulo, tem Conselho de Criança, Estações do Brincar, pedagogias alternativas e um projeto inovador de educação para crianças entre 4 e 5 anos e 11 meses.

Com esse projeto político-pedagógico, a escola ganhou, no ano passado, o Prêmio Desafio 2030 – Escolas Transformando o Nosso Mundo, dado às melhores iniciativas educacionais da cidade de São Paulo nos quatro níveis de ensino.

No encerramento do primeiro semestre deste ano, a EMEI Dona Leopoldina comemorou a Festa da Cultura Brasileira. Para prepará-la, é feito um trabalho com alunos e professores sobre as origens da cultura brasileira, conta Marcia Covelo Harmbach, diretora da escola.

A festa sempre envolve a comunidade escolar (alunos, pais, professores) e local. Neste ano, teve também visitantes de fora.

Eles chegaram de longe. A bailarina Ines Queme e o percussionista Otis Remane vieram de Moçambique. São alguns dos imigrantes vivendo atualmente em São Paulo que se juntaram à plataforma NA DANÇA!

Criada pela professora e bailarina Betty Gervitz, com coordenação musical de Gabriel Levy, a plataforma reúne artistas e professores imigrantes que chegaram à cidade para ensinarem no corpo, no movimento e no som, a arte e a cultura de seus países.

O encaixe entre os dois projetos (o da escola e o da plataforma) foi perfeito. Nada como relembrar as origens da cultura brasileira com a batida contagiante do tambor do músico Remane e os passos irrestíveis da bailarina Ines.

E nada como aprender no corpo, na arte, NA DANÇA!

“A primeira linguagem da criança é o corpo. Para a educação infantil, a dança é fantástica”, diz a diretora da escola, Marcia.

É também uma linguagem universal. Na Festa da Cultura Brasileira do Dona Leopoldina, crianças, funcionários, pais, amigos, gentes de todas as idades entraram de corpo e alma nas manifestações de nossa ancestralidade.

“Todos se envolveram, foi muito lindo ver todo mundo dançando”, afirma Marcia.

O que acontece quando adolescentes de uma escola pública entram NA DANÇA!

O professor de história José Araújo e a professora de dança Betty Gervitz já conversam há algum tempo sobre a ideia de inserir dança nas escolas.

Mas em escolas públicas, para alunos adolescentes? Que danças, e como?

“Eu estava receoso, até porque o adolescente tem suas dificuldades em se expor para o público”, diz Araújo, que dá aulas de história na Escola Estadual Prof. Mauro de Oliveira, na Vila Anglo Brasileira, zona oeste de São Paulo.

O conceito e as ações da plataforma NA DANÇA! coincidiram com um projeto que Araújo está realizando com os alunos, para ser apresentado na Semana de Geografia da USP, que será realizada em outubro.

O tema proposto pelo professor da Mauro de Oliveira é a invisibilidade social, e um dos subtemas é a questão dos refugiados.

A plataforma é uma rede de conexões (e atividades) entre artistas e professores imigrantes chegados nos recentes ciclos migratórios, profissionais brasileiros que desenvolvem pesquisas e trabalhos sobre danças e músicas de diferentes lugares e culturas do mundo e todo o povo da cidade que adora dançar e conhecer coisas novas.

“Achei que seria profícuo a inserção desta experiência na escola. A ideia foi levar os artistas para um bate-papo com os alunos, finalizado com um pouco de dança”, conta Araújo.

A preocupação de os jovens não quererem se envolver na parte mais física da atividade se dissipou no encontro dos alunos com os professores-artistas Ermi Panzo (Angola), Ines Queme (Moçambique) e Mohammad Al Jamal (Líbano).

Eles contaram de onde e por quê vieram ao Brasil, e depoimentos pessoais sobre questões como racismo, diversidade ou inclusão.

“A dança entrou com uma razão de ser, respaldada pelo conteúdo”, diz Gervitz.

Para Araújo, a conversa inicial criou “uma espécie de estrutura calorosa, tudo fez sentido para eles”.

Nas histórias de cada imigrantes, eles souberam de uma potência de resistência, que depois foi experimentada em seus próprios corpos.

“No começo, alguns alunos ficaram fora da dança, só olhando, mas no final foi um delírio coletivo, até funcionário de muleta entrou na dança”, conta Araújo.

DEPOIMENTOS

Foi emocionante não só para os docentes e discentes da escola Prof.Mauro de Oliveira, mas também para os artista que fizeram este lindo e longo caminho da África ou do Oriente Médio até uma quebrada da cidade de São Paulo.

“Mostrei para todo mundo a minha cultura e minha dança, compartilhei minha história com prazer”, disse Mohammad Al Jamal, acrescentando que aprendeu algo novo ao perceber a curiosidade e o amor dos adolescentes pelo que tinha a mostrar.

O que dizer do NA DANÇA! na escola?”, pergunta Ines Queme. E ela mesma escreve a resposta em seu depoimento:

“Apenas dizer que, além de ser uma plataforma de interação social, propôs-se a embarcar no campo educacional para compartilhar e despertar as identidades ofuscadas no trânsito cotidiano; ontem, a criança, o adolescente ensinaram-nos que ao ouvi-los e respeitá-los podemos atingir um retorno social que beneficie toda a sociedade. Conversar e olhar no olho é um doar que traz como retorno amor, afeto, respeito e admiração mútua. A dança transcendeu o movimento rítmico e corporal para uma empatia identitária e espiritual. Obrigada Garotada da Escola Estadual Mauro de Oliveira. Avante o projeto.”

Os alunos da escola estadual também mandaram seus recados:

❤Foi muito emocionante, as histórias deles foram marcantes e me encantaram muito. Foi uma troca super legal de conhecimento, história e de sentimentos, penso que foi muito legal da parte deles contarem pra nós suas histórias e sua relação com o Brasil. Ao mesmo tempo é uma lição de vida pra gente que vemos os países deles de um forma sendo que é mais, eles enfrentaram guerras, conflitos familiares, com muita maturidade e sinceridade e sem perder o foco e continuaram seguindo em frente, vindo parar em uma realidade cheia de amor, de dança e interação. Me mostraram que eu devo apreciar o agora e procurar não reclamar de coisas pequenas. ❤Ana Luiza Oliveira de Sousa 3ºA nº01

Sem dúvida nenhuma, eu nunca me senti tão feliz em uma segunda feira kkk. Eu amei a experiência, ela será inesquecível, me encantou, emocionou, fiquei admirada e no final só queria mais, a dor no corpo foi pequena perto das emoções que tive neste dia, queria vivenciar tudo de novo, pretendo sim participar dos workshop deles e espero ter a oportunidade de encontrar eles de novo. Suas histórias, força, determinação, e o amor com que eles dançavam encheram o meu coração e sonhos de alegria. Quero ser dançarina coreografa no futuro, e depois daquele dia, tenho certeza absoluta dessa minha escolha. Obrigado pela presença incrível de vocês e a todos que ajudam nesse projeto incrível, pretendo fazer parte dele.

❤💃Catarina do Monte Gonçalves 3ºA n°04

Foi ótimo ter visitas no Mauro, e os imigrantes nos ensinaram demais, eu aprendi novos ritmos de dança, novos passos, aprendi sobre a vida deles, e o quão difícil é ser um imigrante e chegar em um país completamente estranho, de cultura diferente, eu os considero guerreiros, por passar por tudo que passaram.

Iago de Souza, 15 anos

Eu gostei do evento na escola porque gosto de dançar, e o que eles falaram foi muito importante. É bom conhecer as histórias dos imigrantes. Percebi que dançar faz parte da cultura deles. É como se fosse uma religião.

Patrick Deivid de Lima

Primeiramente, quero agradecê-la por ter trazido pessoas tão simpáticas e interessantes para a nossa escola, o Mauro de Oliveira está sempre de portas abertas para recebê-los novamente quando quiserem, pois essa atividade foi uma das melhores que já tivemos, pudemos conhecer mais da cultura do nosso planeta, de países completamente diferente do nosso, e isso é uma experiência ótima.

Gosto muito da sua iniciativa Betty, de dar oportunidade de emprego para os estrangeiros que vêm para o nosso país em busca de uma vida melhor, admiro muito sua generosidade e vontade de espalhar essas diversas culturas por aí, continue com esse projeto que eu tenho certeza de que ele vai pra frente! Foi muito gostoso dançar com todos eles e conhecer mais de suas trajetórias até aqui, desejo sucesso a eles e a você também, espero que sua jornada com o projeto Na Dança esteja só começando, pois ele com certeza tem um grande futuro pela frente, obrigado novamente!

Hiago, 2º ano do ensino médio

Em evento em escola da periferia, crianças de 3 a 6 anos vivem diversidade cultural NA DANÇA!

A Apecatu é uma escola muito especial: fundada em 2002 pelo casal Stela Maris Grissotti e Rudi Böhm, foi criada na zona rural de Itapevi, Grande São Paulo, para atender crianças de 3 a 6 anos, vindas de famílias com renda familiar entre um e dois salários mínimos do Bairro Monte Serrat.

Iniciativa para enfrentar a carência de educação pública de qualidade em periferias, a Apecatu é reconhecida por modernizar a educação infantil em Itapevi. Neste ano, renovou também na festa junina da escola, realizada no último sábado, 9/6.

Teve quadrilha, sim senhor, sanfoneiro, chapéu de palha e trancinhas nos cabelos. Mas teve também as trancinhas afro de Ermi Panzo, poeta e dançarino angolano, a alegria de aprender danças vindas de outros países, a roda revivida ao som do acordeon de Gabriel Levy com os passos ensinados por BettyGervitz.

A novidade junina na escola inovadora é um dos ramos da plataforma NA DANÇA! que reúne artistas e professores imigrantes vivendo em São Paulo para ensinarem, no corpo e no movimento, um pouco da cultura de seus países.

O trabalho desses artistas conversa diretamente com as pesquisas da bailarina e professora Betty Gervitz, criadora do NA DANÇA!, e do músico Gabriel Levy, coordenador musical da plataforma.

Estudando, ensinando e apresentando há décadas danças e músicas do mundo, eles voltam os olhares para os mundos que se encontram na cidade,  criando novas conexões com as culturas que chegam e com as próprias origens culturais do país que recebe estes novos imigrantes.

Nas ações em escolas e com crianças, a conexão é imediata. “É uma troca total, são experiências intensas”, diz Gervitz.

Para Stela Maris, coordenadora da Apecatu, foi uma comprovação de como a dança e a música têm poder transformador. Ou, na linguagem direta das crianças, o poder de deixar a gente bem feliz, como disse uma aluna da escola.

A dança também é uma linguagem direta, especialmente para os mais novos. “Um trabalho que estimule a criatividade corporal está em sintonia com a natureza da criança”, diz Gabriel Levy.

Entrar NA DANÇA! é isso, mas também é mais. Levar a plataforma às escolas é ampliar o repertório físico, vivenciar a diversidade. “Trazer essas danças [para as escolas] ajuda a tirar o cabrestro da massificação, amplia possibilidades, abre um mundo”, diz Levy.

É também algo único, segundo Panzo. “Chega a ser visionário”, diz o artista nascido em Angola, que viveu em Cuba e desenvolve uma série de trabalhos, não só na área de dança, com grupos de diversos países da África e da América Latina.